Arquivo da categoria ‘Música e Produção’

It was 40 years ago today

Sexta, 1 de Junho de 2007

Hoje é aniversário da música.
Também pode ser aniversário da criatividade, da inovação, da qualidade, da ousadia, da beleza, da poesia. Hoje é aniversário de toda um legião de pessoas que valorizam essas ‘coisas’ todas.
Hoje. 40 anos de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o disco que mudou os rumos da música ‘pop’, do rock, do psicodelismo, da arte.
O disco a partir do qual os Beatles tornaram-se, exclusivamente, uma ‘banda de estúdio’, abdicando dos shows, graças à inexistência, à época, de tecnologia suficiente para que se reproduzisse em shows ao vivo todos os arranjos que eles produziam em estúdio. Não que no estúdio os recursos fossem ‘maravilhosos’: Sgt. Pepper’s foi totalmente gravado em máquinas mono, de 2 e 4 canais. 40 anos depois, mesmo em termos técnicos, difícil pensar em um trabalho ‘pop’ mais sofisticado e, menos ainda, mais bonito.
Não pretendo ‘descrever’ ou ‘comentar’ o Sgt. Pepper’s, aqui, até porque, isso seria absolutamente desnecessário. É só um ‘parabéns’, mesmo. Apenas um registro de uma das datas mais significativas para a história da cultura que nos forjou, até aqui.

Voz & Violão

Terça, 30 de Janeiro de 2007

Desde 11/2006 não tenho mais uma banda.

Uma pena, pois eu realmente gostava da banda da qual fiz parte, por 5 anos.

De lá para cá, passei a me apresentar apenas no formato Voz & Violão, sozinho, com um repertório totalmente baseado em “clássicos” do pop/rock internacional (Beatles, Stones, Elton John, Rod Stewart, Pink Floyd etc.). Já me apresentava assim, mas com freqüência bem menor, pois a prioridade era a banda. Agora, sem banda, centrei foco nesse trabalho.

Adoro o que faço. Toco o que gosto e, pelo que tenho visto, muita gente também gosta dessas mesmas músicas. Mais ainda, tenho tido um enorme prazer em perceber algumas reações muito interessantes do público.

Primeiro, esse show tem confirmado uma antiga “tese”: só há dois tipos de música: boa ou ruim - seja ela em inglês ou em português, seja ela pop, rock, blues, mpb ou o que for.

Segundo, quando as músicas são boas, não há “fora de moda” que as impeça de tocar e de agradar às pessoas que a escutam, afinal, quase nada daquilo que toco está entre os “sucessos do momento”.
Terceiro, as pessoas continuam se emocionando com a música - e esse é o principal efeito que música pode provocar nas pessoas: emoções.

Acabo de voltar de 3 dias de shows em Monte Verde/MG, no Deck (abraços a toda a equipe!), onde me apresento há três anos, em regra, nos “feriados prolongados”.

O público, na maioria, era formado por casais, numa faixa etária ao redor dos 30/40 anos. Assim, dei mais destaque a canções que, creio, de uma forma ou de outra, compuseram “trilhas sonoras” das vidas de boa parte daquelas pessoas, nesse momento da vida. Acho que “deu certo”.

A reação das pessoas foi absolutamente emocionante. O silêncio era tal, durante as canções, que se podia ouvir os grilos cantando, no pequeno lago, ao lado do Deck. Abraços, cumprimentos, contatos.
Gente querendo conversar, contar algumas histórias, ouvir outras. Enfim, momentos de intenso prazer e alegria, para um ‘andarilho’ como eu que, mais do que cantar canções, busca, justamente, tocar pessoas com essas mesmas canções.

Até breve.

A 89 FM acabou

Terça, 22 de Agosto de 2006

Tudo bem que, de “rádio rock”, a 89 FM, de São Paulo, já não tinha muito. Tudo bem, também, que há tempos ela fazia bem pouco além de reproduzir o mecanismo “jabaculesco” de tocar “só sucessos” - ao menos, eram “sucessos com guitarras”, na maioria das vezes…

Na década de 80, já assistimos ao fim da Fluminense FM (”a maldita”), do Rio de Janeiro - a maior das perdas, sem dúvida. No Estado de São Paulo, na década de 90, a 97 FM, de Santo André, também trocou as guitarras, à época, pelos “eletrônicos em geral”. Agora, a 89 FM, “sob nova direção” (leia-se, Rede Bandeirantes), contratou um ex-”diretor musical” (nome ‘bonitinho’ para um profissional encarregado de cuidar da programação meticulosamente conveniente e rentável das FMs) da Metroplitana FM (eeeeccaaa…). Como anda a nova programação? Sem comentários… Apenas para “ilustrar”, na página de entrada do site, hoje, destaques para a “Promoção Shakira” e para um “ex-paquito” e “capa da G Magazine”, que, em breve, participará de programa ao vivo na “nova 89 FM”.

Nada espantoso, na verdade, afinal, como qualquer empresa, “they’re only in it for the money”. De se lamentar mesmo, apenas, que o “ciclo reprodutor” continue “firme e forte”, como sempre: rádios horrorosas para um rebanho imenso de ouvintes amestrados. Nossas FMs mais parecem o “circo romano do Século XXI”: quanto mais horror, maior o interesse e o delírio da massa! Gente que acredita, até mesmo, que as “mais pedidas do dia” foram, de fato, as mais pedidas; gente que acredita que, de fato, são as rádios que bancam as promoções e os prêmios que entopem suas programações (viagens, ingressos para shows, cds, dvds etc.), ao mesmo tempo em que, coincidentemente, alguns artistas têm suas músicas tocadas por elas ‘N’ vezes ao dia.

Tenho uma filha “quase” adolescente que, para minha alegria, pediu uma guitarra de presente, há um ano - e hoje faz aulas. Por mais que eu não seja assim “tão fã” da Avril Lavigne, por exemplo, não tenho menor dúvida de que prefiro vê-la ouvindo a loirinha gringa de “tipo rebelde” (que compõe, toca e canta as próprias músicas) do que os “sucessos” da esmagadora maioria das nossas FMs. Fico imaginando o que ela pediria (ou, mais grave, o que ela teria para aprender, ao invés de música) se, ao invés da Avril Lavigne (por exemplo), ela ouvisse as “pérolas” que habitam as “paradas de sucesso” das nossas FMs…

“Desde pequenos nós comemos lixo” (Renato Russo). A 89 FM, agora, acaba de se transformar em mais um “delivery” desse mesmo lixo.

Música, tecnologia, mercado e… direito

Terça, 22 de Agosto de 2006

Há dois meses, no texto “Downloads de música: a batalha continua”, falamos aqui do desejo das grandes gravadoras de criar suas próprias lojas virtuais de música, para vender downloads de arquivos musicais de seus artistas (áudio e vídeo). Segundo o colunista norte-americano John C. Dvorak, elas estariam insatisfeitas com a presença da Apple (via iTunes) nesse mercado, de forma tão destacada. Querem o monopólio de volta, seja da venda, seja dos números reais do mercado (mais importante ainda do que as vendas, aliás).

O blog do iBest divulgou, no último dia 10.08.06, a notícia de que a divisão da Sony encarregada do produto “Playstation” (agora não mais apenas uma plataforma de jogos, mas também disponível como um player de arquivos multimídia, o “Playstation Pocket”) está trabalhando muito forte nesse sentido e que só não colocou sua loja virtual ‘no ar’, até agora, por problemas de ordem tecnológica e jurídica (questões relativas às proteções de cópias digitais dos arquivos).

O iPod representou, mesmo, como se vê, um fenômeno de proporções inimagináveis, quando de seu lançamento. Muito mais do que um “Walkman do Século XXI”, o player de MP3 da Apple representou, de forma evidente, o quanto o mercado da música está se transformando, graças aos avanços da tecnologia.

Os desafios se multiplicam na mesma velocidade da tecnologia - e em tamanhos inversamente proporcionais aos players MP3, que proliferaram após o sucesso do iPod. Padrões de proteção a cópias digitais, padrões de arquivos multimídia a serem executados pelos aparelhos, padrões de fabricação dos aparelhos que os executarão. Divergências e incompatibilidades (técnicas e econômicas).

Como ‘pano de fundo’, autores, artistas, consumidores e… seus direitos.

Autores e artistas que merecem, querem e devem receber por seu trabalho - e que, ao mesmo tempo, precisam divulgá-lo, para que mais e mais pessoas o conheçam. Consumidores ávidos por novidades que o mercado ‘convencional’ há tempos não disponibiliza (e, quando o faz, o faz em ‘pacotes’ cheios de ‘adendos’ que o consumidor não quer, mas pelos quais tem de pagar, caso deseje ter acesso àquilo que realmente quer). Como ‘mídia’ (meio), a Internet.

Os direitos autorais, como os conhecemos até hoje, e como vêm tratados nas leis específicas de quase todo o mundo, de modo bastante similar, precisam de revisão. O ‘modelo’ que aí está é restritivo, centralizador, acraico e, mais grave, em grande medida ineficaz, já que, de uma parte, propicia mais direitos (e lucros) aos intermediários do que aos autores e artistas que deveria proteger; de outra, penaliza também aos consumidores, dificultando seu acesso à criatividade dos autores e artistas - quer pelos preços elevados deles cobrados pelos produtos ‘industrializados’, quer pelas restrições que acaba por impor a formas de distribuição mais racional, mais ampla e menos ‘enclausurada’ do que aquelas dos modelos atuais.

Creative Commons: licenças flexíveis, para um mundo menos ‘enclausurado’. Parece um caminho.

Até breve.

Venda de música por downloads continua a crescer

Segunda, 10 de Julho de 2006

O Blue Bus, um dois mais interessantes ‘diários’ sobre mídia da web brasileira, divulgou, hoje, que, segundo noticiado pela BBC, as vendas de música por download cresceram 77% no primerio semestre deste ano, nos EUA, enquanto as vendas ‘convencionais’ de CDs caíram 4,2%. Mais de 14 milhões de álbuns foram comprados, na íntegra, pela web - mais do que o dobro dos 6,5 milhões comercializados pelas vias tradicionais, no mesmo período.

Downloads de música: a batalha continua

Domingo, 25 de Junho de 2006

John C. Dvorak é um dos mais conhecidos colunistas de tecnologia, na atualidade. Afora o mau gosto explícito de defender PCs e criticar os Macs, tem idéias e opiniões que valem à pena conhecer.

Em artigo publicado originalmente em 28.09.05, na PC Magazine americana (e republicado na edição brasileira da mesma revista, neste mês, à página 35), Dvorak fala sobre a ‘nova batalha’ no campo dos downloads de música via iTunes.

Conforme relatado pelo autor, as grandes gravadoras, que tanto relutaram (e ainda relutam) em autorizar o comércio online de músicas sobre as quais detêm os direitos autorais, depois de perceberem a verdadeira ‘máquina de fazer dinheiro’ que esse nicho de mercado representa, estão revendo todo o cenário, principalmente sua parceria com o site da Apple, o iTunes.

Sob o argumento de que a Apple estaria ‘ganhando muito’ com o negócio (ela repassa às gravadoras 70 dos 99 centavos arrecadados a cada download!), as gravadoras têm se manifestado no sentido de que os 99 centavos, como preço único, não são o formato adequado. Lançamentos deveriam custar mais, segundo elas.

O discurso é inconsistente e, na verdade, procura desviar o foco da questão de fundo. Aumentando-se os preços, a tendência é a de que os jovens consumidores (alvo principal dos lançamentos) retornem ao ‘consumo de pirataria’, minando o negócio milionário da Apple - por paradoxal que pareça, como se verá mais adiante, lutar ‘apenas contra a pirataria’ poderia ser mais cômodo para elas do que o quadro atual desse mercado…

A intenção real das gravadoras, com essa fala sem propósito, como bem observa o colunista, não é a de ruir o negócio de venda de músicas online, como um todo, mas, sim, afastar a Apple do circuito - e, aparentemente, por uma razão bem mais sórdida do que uma eventual disputa pelos centavos por música.

Segundo avalia Dvorak, o problema ‘real’, para as gravadoras, parece estar no fato de que, ao permitir que um terceiro (a Apple) assuma posição tão relevante na cadeia de distribuição de seus produtos, torna-se mais difícil para elas ‘maquiar’ os números de vendas e, com isso, torna-se igualmente mais difícil manipular os resultados dos royalties que deverão ser pagos aos artistas.

O próprio autor cita as inúmeras demandas judiciais historicamente registradas entre artistas e gravadoras, nesse sentido, destacando que esses processos sempre demandaram auditorias complexas e caríssimas, dificultando a vida dos artistas que se sentissem lesados nessa contabilidade, já que as gravadoras sempre foram as únicas detentoras desses números, com base nos quais são recolhidos os direitos autorais dos artistas. No modelo do iTunes, não são mais.

Assim, começam a falar na implementação direta de sistemas online de venda de músicas, sem esse ‘terceiro indesejado’. Cada selo, nesse novo formato, teria sua própria loja virtual, eliminado-se, assim, quaisquer acessos aos números reais da comercialização, por terceiros.

Não fui eu quem disse isso: eu apenas concordo, fico feliz pelo fato de que alguém bem mais ‘notório’ o tenha feito e, ainda, por poder dividir com vocês, leitores deste blog, mais alguns ‘argumentos interessantes’ na luta pela sobrevivência da música, em meio a um mercado tão ’singelo’ quanto o que aqui se comentou brevemente, mais uma vez.

Até a próxima.

Bluebell: Slow Motion Ballet

Segunda, 5 de Junho de 2006

A ‘onda’ de independentes à qual nos referimos em uma postagem anterior está fazendo com que a ‘grande mídia’ abra espaços, mesmo que ainda tímidos (as gravadoras, para variar, continuam atrasadas…).

Recentemente, em algum lugar, li uma nota falando que a MTV Brasil estaria dando início à venda de músicas pela Internet (nem sei se procede). Fui até o site para conferir e lá acabei achando algo muiiiiiito melhor, no link ‘Banda Antes’ - um programa dedicado a bandas e artistas independentes: Bluebell.

Bluebell é o ‘nome artístico’ da cantora paulista Bel Garcia que, pelo selo Super Reds, lançou, em 2005, “Slow Motion Ballet”, seu disco de estréia. Quase todas as letras em inglês, num som que mistura (com bom gosto) diversas influências e estilos (do mais ‘tosco’ ao mais suave, do elétrico ao acústico), sem perder a identidade.

Pelo que pude ‘garimpar’ na web, encontrei 4 amostras do CD (em http://www.myspace.com/bluebellmusic). Resultado: encomendei o disco, pela web, mesmo. Confira. Vale à pena.

Até.

Discos? CDs? Nada disso: Música.

Quarta, 31 de Maio de 2006

Sou do tempo da vitrola. Tive muiiiiiitos discos (guardo alguns, até hoje). Tenho hoje muuuiiiitos CDs. Também já estou pensando em quais deles vou guardar para que, um dia, minha filha mais nova (6 meses) possa dar boas risadas, tentando compreender o ‘mundo ultrapassado’ em que o pai dela viveu.

Provavelmente, pouco vivenciarei desse cenário que, hoje, vejo com os olhos fechados (já entreabertos, apenas, na verdade) - em especial, vivendo no Brasil. Por aqui, ao que parece, muito lentamente, apenas, os ‘guichês locais’ das grandes gravadoras vêm recebendo ‘autorização’ para adentrar no século XXI. Em regra, continuam ‘em algum lugar do passado’, reclamando da pirataria, da queda das vendas de CDs etc., etc., etc.

A ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco) divulgou na última semana o relatório de vendas em 2005, no país, apontando quedas de 20% (em unidades) e de 13% (em valores), em relação a 2004.

A ‘loja’ de downloads de música da Apple (iTunes Music Store), por outro lado, já ultrapassou, no início deste ano (2006), a marca de 1 bilhão de downloads de música pela Internet. Detalhe: downloads ‘legais’, pagos, rendendo dividendos a quem de direito – e com as bênçãos dessas mesmas gravadoras que, no ‘resto do mundo’ (aqui, por exemplo), continuam, predominantemente, reclamando, reclamando, reclamando.

No Brasil, não temos acesso à compra de músicas no site iTunes, da Apple (apenas 21 países têm acesso ao serviço, hoje; para ampliá-lo, novos acordos com as grandes gravadoras terão de ser firmados). Finalmente, ao menos, as ‘majors’ (como são conhecidas as grandes gravadoras) fecharam parceria com o site iMusica, para venda online de músicas, no Brasil. Por aquele site, segundo seu diretor, Felippe Llerena, são vendidas, hoje, cerca de 15 mil músicas por mês.

Ainda é pouco. Na ‘dura realidade’, como regra, continuamos a ter de escolher entre sermos lesados por produtos ‘piratas-piratas’ ou por produtos ‘piratas-legais’; afinal, convenhamos, cobrar o que se cobra por um CD, não deixa de ser ‘pirataria legalizada’ – algo bastante comum por aqui, aliás, onde agiotas e bancos ainda têm tratamentos tão distintos, para prestarem ‘serviços’ tão parecidos.

Enquanto isso, continuamos sendo alvos de coletâneas e mais coletâneas, regravações e mais regravações (por vezes, de gosto duvidoso), lixo e mais lixo, só porque simplesmente não se lança mais nada novo, por ser mais ‘seguro’ agir assim.

O CD, como hoje o conhecemos, está em vias de extinção. Ele está se transformando, rapidamente, no cassete de antigamente. Do CD até que eu gosto, como gostava dos ‘discões’ de vinil; o que entristece é ver o que esse mercado fez e continua a fazer com a música, com os artistas, com os compositores, com o público…

Podcasting: mais um caminho para a ‘boa luta’

Quarta, 24 de Maio de 2006

Conforme divulgado em março, no site do Ministério da Cultura, estima-se que, em 2010, haverá cerca de 15 milhões de ouvintes de podcasts nos EUA. Ainda neste ano deve-se chegar a 3 milhões. O ‘main business’ já está de olho, é claro. As próprias gravadoras estão começando a perceber (ainda que lentamente, como de hábito) que pode ser interessante autorizar o uso de músicas suas, nessa ‘nova mídia’. Ainda querem saber melhor, evidentemente, de que forma (recebendo pagamentos diretos ou utilizando-se do meio como ferramenta de divulgação) e quanto lucrarão com isso. Afinal, ‘they’re only in it for the money’…

No Brasil, no entanto, o controle dos recebíveis a título de direitos autorais passa pelo ECAD… Para quem já leu um pouco sobre o tema, desnecessário descrever em detalhes os problemas e dificuldades do sistema, para os artistas. “As gravadoras ainda encaram os podcasts como uma ameaça; não entenderam que esta pode ser uma forma de divulgar o trabalho de seus artistas e lucrar com este tipo de veiculação”, afirmou Olavo Pereira Oliveira, diretor de conteúdo da Podcasting Brasil, na notícia que dá base para este texto.

Continua em curso (ainda bem!) o ‘inferno astral’ das grandes gravadoras, mundo afora, com o crescimento maravilhosamente caótico do espaço ocupado pela música na Internet. Primeiro, tiveram de lidar com as trocas de arquivos (Napster, Kazaa, Limewire etc.) e, aos poucos, vão montando seus próprios sistemas de vendas de músicas online; agora, vêem nascer e crescer, de forma rápida e sólida, mais um ‘mercado’ que elas não dominam.

O mais curioso (delicioso), é que esse cenário nada mais representa do que a ‘colheita’ do plantio que elas mesmas realizaram, com tanta competência, ao longo dos anos.

Acabaram com os compactos, forçando os artistas a ‘estourarem’ todo um álbum para conseguir vendê-lo e, de outro lado, forçando os consumidores a adquirir o que não queriam, para ter acesso ao que queriam.

Em paralelo, fizeram do ‘jabá’ a regra de acesso à grande mídia (rádios e TVs), inflando os custos de divulgação de seus próprios produtos. Tudo bem, enquanto essa grande mídia foi a única forma de acesso à produção musical; um grande problema, num contexto como o atual, em que cada vez mais pessoas, em grande velocidade, começam a buscar alternativas à mesmice das programações das FMs, com horários lotados de publicidade, papo furado e ‘jabás’.

Não defendo a pirataria como solução para esse estado de coisas. Concordo com a velha máxima segundo a qual ‘quem trabalha de graça é relógio’. Não concordo é com o ‘assalto legalizado’ de que somos alvo em tantas situações, dentre as quais, comprando CDs por mais de R$30, R$40.

A ‘boa luta’ continua.