Que dizer do amor?
“Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.” (Carlos Drummond de Andrade, em “As sem razões do amor”).
Que dizer do amor, depois que tantos, como Drummond, o cantaram e contaram de forma tão maravilhosa? Difícil, sem dúvida.
A “amar se aprende amando” (título de obra do mesmo Drummond). Estou tentando. Sinto algo intenso, imenso e inexplicável, a que chamo amor. Talvez o seja - com todas as imperfeições que empresto a tudo o que vivo; talvez seja outra coisa, de tão imperfeito que é. De qualquer forma, é o que de melhor trago em mim. Por isso, chamo de amor.
Amor, imagino, seja algo incondicional. Não consigo chegar a tanto. Sofro (e muito) pelas ‘condições’ que atribuo ao meu amar. ‘Exijo’ de quem amo - e talvez isso faça com que o meu amor seja menos do que amor. Algo imperfeito, como eu mesmo; mas, ainda assim, verdadeiro. O melhor de mim, por menos que isso possa representar.
Minha vida é dedicada às pessoas que eu amo (com todos os acertos e erros que isso possa envolver). Não preciso nominá-las: elas saberão se identificar.
A isso chamo autenticidade, espontaneidade. Características que não suprem as limitações do meu amar imperfeito, bem sei; mas que podem, espero, minimizar os efeitos das imperfeições. Mais ainda, espero, traços que podem dar, às pessoas que amo, a certeza de que, ante minhas (tantas) imperefeições, estarei ‘apenas’ errando, quando as machucar.
Isso não ‘resolve’ as dores, não ‘apaga’ os machucados. Também sei.
Ainda assim, é o melhor que posso dar. Imperfeito? Sem dúvida. Como eu. Ainda assim, do meu jeito, amo. Intensamente. Verdadeiramente.
Às pessoas que eu amo - e que saberão se identificar, creio eu - deixo aqui mais uma declaração de amor. De alma. Com todas as imperfeições (e virtudes) que o meu amor (imperfeito) possa ter.
19 de Janeiro de 200710:14 em
Imperfeito, o amor? Nunca! Imperfeitos somos nós que não sabemos responder ao chamado desse sentimento tão belo e nos perdemos em conjecturas, medo e separação. Pelas nossas imperfeiçôes às vezes, ferimos profundamente a quem mais amamos e causamos dor a quem só desejamos causar alegria. Mas, por ser perfeito, o amor sabe como alcançar o coração de quem ama para dizer que é maior que todas as nossas imperfeições e para esclarecer que quem ama é também muito amado.
26 de Maio de 200711:50 em
Não se trata de perfeição;imperfeição. Trata-se de humanidade.
Puxa, somos humanos, não deuses! O amor não é pefeito/imperfeito. Ele simplesmente é.
26 de Maio de 200713:38 em
A respeito do comentário acima, após postado, lembrei-me de um conto de Clarice Lispector, A Imitação da Rosa.
Lá pelas tantas, ela diz:
“Se uma pessoa perfeita do planteta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o qe havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderia essa nuance de vício e esse refinamento de vida”.