John C. Dvorak é um dos mais conhecidos colunistas de tecnologia, na atualidade. Afora o mau gosto explícito de defender PCs e criticar os Macs, tem idéias e opiniões que valem à pena conhecer.
Em artigo publicado originalmente em 28.09.05, na PC Magazine americana (e republicado na edição brasileira da mesma revista, neste mês, à página 35), Dvorak fala sobre a ‘nova batalha’ no campo dos downloads de música via iTunes.
Conforme relatado pelo autor, as grandes gravadoras, que tanto relutaram (e ainda relutam) em autorizar o comércio online de músicas sobre as quais detêm os direitos autorais, depois de perceberem a verdadeira ‘máquina de fazer dinheiro’ que esse nicho de mercado representa, estão revendo todo o cenário, principalmente sua parceria com o site da Apple, o iTunes.
Sob o argumento de que a Apple estaria ‘ganhando muito’ com o negócio (ela repassa às gravadoras 70 dos 99 centavos arrecadados a cada download!), as gravadoras têm se manifestado no sentido de que os 99 centavos, como preço único, não são o formato adequado. Lançamentos deveriam custar mais, segundo elas.
O discurso é inconsistente e, na verdade, procura desviar o foco da questão de fundo. Aumentando-se os preços, a tendência é a de que os jovens consumidores (alvo principal dos lançamentos) retornem ao ‘consumo de pirataria’, minando o negócio milionário da Apple - por paradoxal que pareça, como se verá mais adiante, lutar ‘apenas contra a pirataria’ poderia ser mais cômodo para elas do que o quadro atual desse mercado…
A intenção real das gravadoras, com essa fala sem propósito, como bem observa o colunista, não é a de ruir o negócio de venda de músicas online, como um todo, mas, sim, afastar a Apple do circuito - e, aparentemente, por uma razão bem mais sórdida do que uma eventual disputa pelos centavos por música.
Segundo avalia Dvorak, o problema ‘real’, para as gravadoras, parece estar no fato de que, ao permitir que um terceiro (a Apple) assuma posição tão relevante na cadeia de distribuição de seus produtos, torna-se mais difícil para elas ‘maquiar’ os números de vendas e, com isso, torna-se igualmente mais difícil manipular os resultados dos royalties que deverão ser pagos aos artistas.
O próprio autor cita as inúmeras demandas judiciais historicamente registradas entre artistas e gravadoras, nesse sentido, destacando que esses processos sempre demandaram auditorias complexas e caríssimas, dificultando a vida dos artistas que se sentissem lesados nessa contabilidade, já que as gravadoras sempre foram as únicas detentoras desses números, com base nos quais são recolhidos os direitos autorais dos artistas. No modelo do iTunes, não são mais.
Assim, começam a falar na implementação direta de sistemas online de venda de músicas, sem esse ‘terceiro indesejado’. Cada selo, nesse novo formato, teria sua própria loja virtual, eliminado-se, assim, quaisquer acessos aos números reais da comercialização, por terceiros.
Não fui eu quem disse isso: eu apenas concordo, fico feliz pelo fato de que alguém bem mais ‘notório’ o tenha feito e, ainda, por poder dividir com vocês, leitores deste blog, mais alguns ‘argumentos interessantes’ na luta pela sobrevivência da música, em meio a um mercado tão ’singelo’ quanto o que aqui se comentou brevemente, mais uma vez.
Até a próxima.